VINDE, CELEBREMOS A PASSIO DOMINI

Aos olhos da humanidade, a Paixão do Senhor (Passio Domini) não é outra coisa a não ser o rememorar do maior em mais conhecido ato de crueldade já sofrido por um bom homem. De maneira comum, muitos, não conseguem enxergar beleza no Calvário e para além da humanidade de Cristo não conseguem perceber a sua divindade. Deus quis morrer na cruz por aqueles que já estavam mortos no pecado.

Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor? Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. (Isaías 53, 1-3)

Jesus se fez pecado no alto do madeiro para que nos não mais o tivéssemos, Jesus se fez homem das dores assumindo a condição de escória da humanidade para que todos, sem exceção, pudessem ter a feição de imagem e semelhança de Deus, destruída pelo pecado original, novamente modelada, restaurada no sangue do cordeiro.

A missão de Jesus o conduz a Paixão, ao sacrifício da cruz, como ato sublime de amor, pois Deus é amor (Cf. I João 4,8), entrega total de si, como dom único e irrepetível do Pai, como vítima amorosa em vista da redenção universal. Deus feito homem é imolado para que todos os homens recuperem a graça da feição divina em sua humanidade.

Podemos afirmar que a semana santa, e mais propriamente a Paixão do Senhor é a celebração que nos permite reviver o mais puro amor, é celebrar o Amor, mais do que a dor e o sofrimento, celebramos a doação oblativa, o sacrifício cruento do Amor, que por amor aqueles que não o amam se entrega, demonstrando assim a sua incondicionalidade. É isso mesmo, o amor de Deus por nós é um amor incondicional, que não coloca condições para nos salvar.

Na cruz revivemos o testemunho de incondicionalidade do Amor.

A Paixão do Senhor nos ensina a vivermos sob modelo do verdadeiro Amor. Assim, o sofrimento causado pela ausência de Deus no coração do homem pode ser eliminado, cedendo espaço para a restauração da presença de Deus, Amor, no coração de tantos que hoje vivem sem sabor e sentido em suas vidas.   

É preciso resgatar o sentido da celebração da semana santa, bem como do Tríduo Pascal (Quinta, Sexta e Sábado santos) única liturgia que faz um resgate do nosso Pessach (Páscoa em hebraico), de Moisés até Jesus, passando da Páscoa judaica para a Páscoa de Jesus, data escolhida por Ele para no seu sacrifício instaurar a única e verdadeira libertação, agora a libertação de todo e qualquer homem.

Esperamos viver intensamente nossa celebração pascal, de tal maneira que façamos dignamente a memória da Paixão, assumindo o nosso papel de agraciados e justificados pela salvação, não somos convidados a viver uma semana santa e sim a sermos santos por toda a nossa vida, a começar, quem sabe desse tempo no qual tudo respira a realização do sonho do Pai em Cristo Jesus  seu filho. 

                                                                       Deus vos abençoe

Luiz Santana (Luizinho)
 Fundador da Comunidade Passio Domini

 

 

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