Estamos no tempo do advento, tempo da expectativa, na qual refletimos sobre a segunda vinda de Cristo e esperamos ansiosamente a noite de Natal, noite do nascimento de Jesus, Ele é o aniversariante da noite e o mais esquecido entre todos os presentes.

Sabemos que essa data corresponde a uma tradição da Igreja e não a data precisa do nascimento de Cristo, a escolha do dia 25 (vinte e cinco) corresponde à festa do solstício que era dedicada ao “deus sol”, portanto uma festa pagã, com o crescimento do cristianismo e a permissão do culto cristão os membros cristianizaram essa festa, significando que o verdadeiro Deus, o único sol havia se encarnado e nascido no seio virginal e puríssimo de Maria, cuidado e zelado por José.

É interessante como nesse período ouvimos e vemos de tudo; pessoas alucinadas por comprar, comprar e comprar, indecisas por quais escolhas deva fazer, o que comer, o que vestir, para onde viajar. Chega-se a ouvir absurdos como ouvi a poucos dias a que Jesus não teria nascido em um estábulo e que José e Maria não seriam inconseqüentes em deixar o Filho de Deus nascer num lugar tão inadequado, sujo, repleto de animais, distante de tudo e todos, sem a higiene básica necessária. Pois bem, vamos ao trecho bíblico: Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. (Lucas 2,6-7).  A descrição do evangelista é clara quanto às condições em que se encontrava a família de Nazaré, os dias para dar a luz se completaram, envolve-os em faixa como prática habitual no nascimento de todas as crianças da época, coloca-o num presépio, gruta ou cabana, numa manjedoura (utensílio utilizado para alimentar animais), pois bem, ainda não é claro se o lugar é um estábulo, mesmo que todas as indicações e símbolos o digam por si mesmo, mas a verdade é uma só: um Deus tão poderoso se fez tão pequeno, um Deus tão grande se humilha tornando-se homem, obra de suas mãos. Penso o quanto tempo perdemos fazendo teologismos nos quais a preocupação não é o mistério da encarnação, mas a tentativa de diminuir tal gesto de Amor. Isso mesmo, Deus nos amou tanto que não hesitou em enviar-nos seu filho unigênito para que todos tenham vida e vida em abundância. A obra de salvação consiste no maior presente que possamos receber, o mesmo menino cresce e se entrega novamente, como o Pai o entregou a humanidade na encarnação, o filho se entrega agora no alto do madeiro e dali faz sua nova manjedoura, lugar do alimento das almas que estavam mortas pelo pecado, faz do madeiro local do novo nascimento da humanidade, a morte de Jesus é o sinal da nova vida. Assim se completa a obra sonhada por Deus.

É Natal, somos chamados a mergulhar no mistério do menino Deus que vem para cumprir a missão redentora, é tempo de refletirmos nossas atitudes e decisões, é tempo de reconciliar-nos com aqueles que ainda nos encontramos feridos ou magoados, é tempo de refazer nossas forças para prosseguirmos, é tempo de fortalecer-nos na esperança.

Santo Natal a todos.

Luiz Santana (Luizinho)
Fundador da Comunidade Passio Domini

 

 

Home | Subir Página

 

Associação Passio Domini 2008-2010 © Todos os direitos reservados