LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ
Dia Mundial da Paz 2011
 

No ano de 2010, o Dia Mundial da Paz, em sua 53ª edição, teve como tema: “Se quiseres cultivar a paz, preserve a criação”. Um tema, sem dúvida, muito importante e necessário para a paz em nosso conturbado planeta. De resto, é um tema e uma preocupação que continuam a chamar a atenção da humanidade. Tanto é verdade que, no Brasil, a CNBB o escolheu para a Campanha da Fraternidade 2011: “Fraternidade e a Vida no Planeta – A criação geme em dores de parto”. Continuaremos a refletir e a agir para preservar a vida em nosso planeta. Um serviço que promove a paz!

Iniciamos 2011 com o tema indicado pelo Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz: “LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ!” Certamente causa impacto. E até surpreende. Mas o Pontífice abre sua mensagem com uma tríplice constatação: 1) – “...em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria fé, sem pôr em risco a vida; 2) – “...em outras, há formas silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos; 3) – “Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem freqüentemente em sobressalto por causa de sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo, e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa” (nº 1).

O Papa afirma que o direito à liberdade religiosa está radicado na dignidade da pessoa humana, a qual goza de uma natureza transcendente, porque Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). E realça o valor profundo da vida humana, citando o Salmo 8: “Quando contemplo os céus, obra de vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para deles Vos ocupardes? Fizeste dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra de vossas mãos, tudo submetestes a seus pés” (v. 4-7).

O exercício do direito à liberdade religiosa está ligado ao respeito recíproco: cada pessoa e grupo social devem respeitar os direitos alheios e o bem comum.

A família é a primeira escola “de convivência, de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam sempre encontrar no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio patrimônio de fé, de valores e de cultura aos filhos” (n. 4).

A liberdade religiosa é uma aquisição da civilização política e jurídica. É patrimônio da inteira família dos povos da terra. A religião tem dimensão pública, pois acontece na relação com os outros. É solidária em favor do bem comum. As religiões prestam grandes serviços à sociedade, não apenas aos que partilham de suas crenças, mas a toda a sociedade integralmente.

Partindo da esfera pessoal, a liberdade religiosa realiza-se na relação com os outros, com a comunidade e com a sociedade, como é próprio do agir humano. O exercício da caridade começa na pessoa e estende às instituições caritativas e à esfera política.

A liberdade religiosa não pode ser instrumentalizada para mascarar interesses ocultos, apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo. “A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. A liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que nunca se impõe pela violência, mas pela força da própria verdade” (n. 7).

E a laicidade? Como situá-la corretamente? Se, por um lado, o fundamentalismo religioso pode absolutizar uma dimensão religiosa, por outro não se justifica o laicismo que vise descartar a religião pela violência. Não se justificam seja o fanatismo religioso seja o laicismo absolutista. O princípio correto deve ser o diálogo entre as instituições civis e religiosas. “No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião, deve ser reconhecida. Por isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade” (n. 9).

A liberdade religiosa é caminho para a paz. O mundo tem necessidade de Deus e da paz, que é dom de Deus. O Papa Paulo VI, que instituiu o Dia Mundial da Paz, afirma: “É preciso proporcionar à paz outras armas que não aquelas capazes de matar e exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos PACTOS” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, de 1976).

“Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ” (Bento XVI).

           

Dom Jacyr Francisco Braido,
CS, Bispo Diocesano de Santos

 

 

Associação Passio Domini 2008-2010 © Todos os direitos reservados