Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós. Jo 14,18

      Não posso começar esta reflexão sem dizer que este versículo Bíblico citado é de um “conforto” inexplicável. Leia-o novamente e receba o conforto que ele traz à alma.

      Estas palavras de Jesus foram ditas antes mesmo de sua morte e ressurreição. Foi um aviso. Se lermos todo o capítulo 14 entenderemos que Jesus estava preparando os discípulos para o que iria acontecer, mas certamente eles não entendiam direito todas aquelas instruções.

      Agora imaginemos quando tudo começou a acontecer: a prisão de Jesus, Sua morte, e a angustiante tristeza depois desses acontecimentos. É bem provável que os discípulos já nem lembravam mais dos “avisos” de Jesus, muito menos desta linda promessa: “Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós”. (Jo 14,18) Muitas vezes também agimos assim; ficamos cegos diante do sofrimento e nos esquecemos das promessas de Jesus, e com isso, talvez, sofremos muito mais.

      Depois de tanta tristeza, medo, angústia... o que aconteceu? A ressurreição de Jesus! A esperança voltou! A alegria voltou! Diz o Evangelho que Jesus ainda realizou muitos milagres, ficou no meio deles durante um bom tempo, e depois os proibiu de sair de Jerusalém. Na Sua ascensão, nos conta a Escritura que os discípulos ficaram olhando para o céu, quando lhes apareceram dois anjos e disseram: “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.” (At 1,11). Ao ouvirem essas palavras, certamente o coração deles recebeu mais um “fôlego” para viver outra separação de Seu Mestre.

      Obedientes a Jesus, voltaram a Jerusalém e perseveraram unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus. (cf At 1,12)

      Chegou então o dia de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, e todos estavam reunidos no mesmo lugar, quando se cumpriu a promessa. Jesus realizou sua promessa e enviou o Paráclito, o Espírito Santo, a força do alto, o sopro do amor do Pai e do Filho. Ficaram todos embriagados, encharcados do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas.

      Bem sabemos que após a vinda do Espírito Santo os apóstolos iniciaram sua vida pública e começaram a pregar sem medo as maravilhas de Jesus.

      Pedro, o pescador, agora cheio do Espírito Santo, converteu três mil homens em cinco minutos de pregação. Um homem até então “normal”, simples, rude, pecador como nós (que um pouco antes na história havia negado Jesus três vezes), agora com suas palavras havia convertido uma grande multidão.

      E por quê? Porque estava embriagado do Espírito Santo.

      Sem falar em Maria, a mãe de Jesus. Que exemplo de obediência encontramos nessa mulher! Ela já era cheia do Espírito Santo, até tida por nós como Sua esposa, ainda assim lá estava ela, junto com os apóstolos aguardando a realização da promessa!

      E nós? Temos sido obedientes a Jesus? Temos buscado fazer Sua vontade? Temos buscado viver os mandamentos? Isso tudo é essencial para que a mesma promessa do Espírito Santo se realize em nós. Precisamos dar espaço para o Espírito Santo fazer morada em nós! E isso acontecerá com nossa caminhada de conversão, nossa busca constante da confissão, e nosso propósito de em tudo fazer a vontade de Deus.

      Outra atitude necessária é a nossa vida de oração frequente. É estarmos em oração permanente, clamando o Espírito Santo. Seja individualmente, mas também em nossa Paróquia, nosso Grupo de Oração, nossa Comunidade.

      O Espírito Santo é gratuito e dado a todos que o desejam e abrem o seu coração. Todos nós podemos e devemos ficar embriagados da graça do Espírito. Todos nós precisamos desta graça para viver neste mundo com a ajuda divina. Não precisamos viver sozinhos, não somos órfãos, o Espírito Santo que é a presença viva de Jesus e do Pai, quer estar agindo em nós. Precisamos da paz que o Espírito nos traz, precisamos do amor, da fé, da confiança, da coragem, da brandura... sem o Espírito Santo é impossível viver como verdadeiro cristão. Para vivermos nosso matrimônio, para sermos bons pais, bons amigos, bons filhos, é necessário estarmos repletos do Espírito Santo.

      Peçamos diariamente o Espírito Santo, clamemos, invoquemos, e vamos nos embriagar desta graça! Em especial, neste tempo litúrgico em que a Igreja vive o Pentecostes, peçamos um reavivar do Espírito Santo que recebemos no Batismo e nos deliciemos com sua doce presença em nós!
 
      Rezemos: Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer, como eu devo dizê-lo. O que devo calar, o que devo escrever, como eu devo agir.Aquilo que devo fazer para obter a vossa glória, o bem das almas e minha própria santificação. Inspirai-me, Espírito Santo, para que meus pensamentos sejam santificados. Agi em mim, Espírito Santo, e amarei apenas o que for santo.  Fortalecei-me, Espírito Santo, e eu defenderei tudo o que for sagrado. Protegei-me, Espírito Santo, para que eu possa ser para sempre santo e sagrado.  Amém.
 

     

Aurea Cristina de Assis Barreto – Fundadora da Com. Verdade e Graça
www.verdadegraca.com.br

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