VOCAÇÃO: UM CHAMADO A SANTIDADE
Escrever
sobre vocação é sempre um grande desafio. É fato que poderia simplesmente
discorrer alguns conceitos prontos sobre vocação. Veja bem, não que os conceitos
sejam sem importância ou que não devamos sabê-los, pelo contrário, todo bom
cristão deve ter vivo, como batizado, em seu pensamento, sua principal vocação:
o chamado a santidade.
A Igreja nos
chama neste mês de agosto a reflexão e oração a cerca da vocação num sentido
mais profundo e de resgate do ser cristão, chamado por Deus ao desafio da
evangelização.
Neste artigo
quero tratar de maneira muito especifica o assunto vocação.
Comecemos
por pensar na santidade. O que é ser santo?
Ser santo
nunca foi fazer coisas imensas, mais deixar-se tomar por Deus, abandonar-se em
suas mãos e com a vida testemunha–lo. Ela se expressa em cada ato, pensamento e
sentimento do cristão. Isto só é possível através da oração (intimidade profunda
com Deus) e conhecimento da Palavra de Deus.
A
Eucaristia, que é o próprio Cristo (carne e sangue), vem como sustento do
cristão. Alimenta sua alma e dá fortaleza para viver a Verdade onde quer que
esteja.
Há aqueles a
que Deus chama para uma vocação específica dentro do seu Estado de vida. Estes
são chamados a estar mais próximos de Cristo e com isso configurar-se a Cristo.
São estes os consagrados nas Novas comunidades ou Comunidades Novas.
O que é ser
um consagrado há Deus nas Novas Comunidades?
É ser
chamado a uma radicalidade de vida, a uma aproximação e configuração a Cristo a
fim de tornar-se com isso o espelho de Cristo na terra para a humanidade.
O consagrado
nas Novas comunidades, dentro do seu estado de vida (casado, celibatário,
sacerdote, freira), deve testemunhar a grandiosidade de Deus levando esse mesmo
Deus a quem não o conhece de maneira mais especifica.
A Igreja ao
longo dos anos vivenciou sempre o surgimento do novo em seu interior. As Novas
Comunidades são o NOVO que o Espírito Santo traz para nossos tempos. Neste NOVO
somos chamados a santidade como em outros tempos pessoas comuns o foram a fim de
lembrar ao mundo que Deus existe e está presente a todo o momento.
Podemos aqui
lembrar alguns santos que fizeram essa opção radical por Deus e viveram esse
NOVO no interior da Igreja, transbordando-o para o mundo. Neste mês lembramos
especificamente dois: Santo Afonso e Santa Teresa Benedita da Cruz.
Cada um
dentro de seu tempo trouxe a Boa Notícia de que “ser santo é possível” e “ nosso
Deus realmente está vivo e nos ama sem medidas”.
Santo
Afonso com sua vida e sua escolha pelo Reino, mesmo perdendo as regalias que o
magistrado lhe dava (advogado e filho da nobreza de sua época), optou pelo
melhor. Desde seu nascimento fora chamado por Deus e em sua idade adulta deu seu
SIM incondicional a Ele.
Tornou-se
sacerdote e fundador dos Redentoristas mostrando com seu viver que depender de
Deus e ter intimidade com Ele é possível e necessário a todo aquele que deseja
segui-lo.
Santa
Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), de origem judia, de estudo acadêmico
imenso para uma mulher de sua época, tornou-se atéia e veraz perseguidora da
verdade. Ao encontrar a Verdade (Jesus Cristo) nos escritos biográficos de Santa
Teresa converte-se ao cristianismo, rompendo assim com tudo e todos, pois para
uma família judaica era inadimisível o cristianismo, torna-se carmelita e vai a
clausura viver com seu amado de maneira intensa. Oferece sua vida dentro do
Carmelo e transborda a graça de Deus além muros. Morreu em uma câmara de gás
pelas mãos dos nazistas, desejando ardentemente o martírio, em lugar de uma
família.
Uma de suas
frases mais conhecidas retrata sua vida e busca incessante pela santidade: “É
necessário perder para ganhar”. Perdeu tudo porém,
ganhou O Tudo que é Deus.
Deus não
cessa de chamar homens e mulher a uma vida de santidade. A uma vida de perene
entrega pelo Reino, a fim de que todos aqueles que ainda não conhecem a Deus
possam vê-lo em suas vidas.
A que você é
chamado meu irmão, minha irmã? O que Deus lhe pede?
Quero
terminar este artigo com o apelo feito pelo apostolo Pedro segundo a inspiração
do Espírito Santo e, anseio da alma de todo consagrado ou chamado a
consagração: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós
santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou
santo” ( I Pedro 1, 16)
Busquemos a
santidade, pois nosso Deus cuida de nós.
Célia
Santana
Co-fundadora da Obra Passio Domini
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