A ESPIRITUALIDADE DAS FESTAS
JUNINAS
Muitos não sabem nem porque festejam, ou melhor, a
quem se festeja, nas festas chamadas juninas. Ganharam estes nomes por serem
comemoradas no mês de Junho. Também neste mês comemoramos a Festa de três santos
importantes: Santo Antônio, São João Batista, São Pedro.
Foram homens que deram suas vidas por causa do
Reino de Deus, exemplos a serem seguidos, mostrando-nos que é possível ser de
Deus.
Santo
Antônio
de Pádua
Além de ser o padroeiro de várias paróquias
inclusive a de Praia Grande, região paroquial na qual estamos sediados, Santo
Antônio é lembrado em todo o mundo, por devotos que alcançam milagres por sua
intercessão.
Nasceu em 15 de Agosto de 1195, e seu nome de
batismo era Fernando. Ele era o único herdeiro de Martinho, seu pai, um nobre
pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo. Sua infância foi tranqüila
sem maiores emoções, até o dia em que se sentiu atraído pelo hábito e escolheu a
Ordem de Santo Agostinho.
Os primeiros oito anos da vida jovem frei, foi
vivido em Lisboa e Coimbra, dedicados aos estudos. Nesse período nada escapou
aos seus olhos desde os “Tratados Teológicos” e “Científicos” às Sagradas
Escrituras. Seus colegas o chamavam de “Arca do Testamento”.
Era muito reservado e fugia das discussões
religiosas até o dia em que cruzou com os Jovens franciscanos, fato que mexera
com o seu interior.
Estes franciscanos que Santo Antônio conheceu,
estavam indo para uma missão no Marrocos, na África, onde pretendiam pregar a
palavra de Deus aos sarracenos.
A experiência era frustrante porque todos morriam
e a chance de revê-los era praticamente impossível. Depois de testemunhar a
coragem dos jovens frades, Fernando decidiu ser franciscano, mudando inclusive o
seu nome em homenagem a Santo Antão.
Disposto a dar a vida e a se tornar mártir, partiu
para o Continente Africano, chegando adoeceu, com febre altíssima, Antônio vê
seu plano de ser mártir escapar-lhe das mãos. Voltando para casa, o navio em que
ele estava aportou na Sicília, no sul da Itália. Recuperou-se aos poucos e ficou
sabendo que haveria em Assis uma Assembléia Geral dos Franciscanos, onde São
Francisco seu pai espiritual e fundador estaria presente.
Que emocionante pensarmos que dois grandes santos
se encontraram numa ocasião tão importante. O que será que conversaram? O que
Antônio sentiu a vê-lo?
Este encontro aconteceu em 1221.
A partir deste encontro Santo Antônio se tornou um
pregador exemplar, suas pregações eram disputadíssimas a ponto de alguns
comerciantes fecharem mais cedo, estarem nas missas que ele celebrara.
Pregando em vários lugares chegou a Pádua, onde
converteu um grande número de pessoas com seus atos e palavras. Foi para esta
cidade que ele pediu para que o levassem quando o seu estado de saúde piorou, em
Junho de 1231.
Santo Antônio resistiu e morreu no dia 13, no
Convento de Santa Maria de Arcella, às portas da cidade que batizou de “Casa
Espiritual”, com apenas 36 anos.
O pedido do religioso foi atendido dias depois, e
sua Canonização aconteceu em menos de um ano, durante o Pontificado do Papa
Gregório IX.
Graças a sua dedicação aos humildes, foi eleito
pelo povo, o protetor dos pobres.
Na Tradição da Igreja, também é conhecido como o
protetor das casas, e no seu dia acontece à distribuição dos pães aos pobres.
Homem de oração, Santo Antônio, tornou-se santo
dedicando sua vida aos mais pobres, e para o serviço de Deus, pregando sempre a
verdade.
Diversos fatos nos chamam atenção na vida deste
santo, sua devoção a Nossa Senhora, em sua pregação, em sua vida, a figura
materna de Maria estava sempre presente. Santo Antônio encontrava nela o
conforto e a inspiração para a sua vida.
Santo Antônio foi o primeiro português com
projeção mundial, sendo solicitado por seus devotos, seja nos milagres
inauditos, seja para achar as coisas perdidas, seja nos serviços sociais
trabalhando diretamente para ajudar aos pobres.
Sobre o seu túmulo esta a Basílica construída em
sua homenagem.
São
João
Batista
São João era primo de Jesus, filho de Isabel e
Zacarias o profeta.
Isabel o concebeu em sua velhice, e ele veio com
uma missão específica a de anunciar o Salvador.
Quando cresceu, vivia no deserto, tomava água das
chuvas, e se alimentava com gafanhotos, frutas silvestres, e mel. Pregava que o
Reino de Deus estava próximo e o batismo de conversão.
É considerado o maior de todos os profetas,
denunciou a vida de pecado em que vivia o Rei Herodes Antipas, filho de
“Herodes, o Grande”, aquele que mandou assassinar as crianças com menos de dois
anos, por medo do Rei dos Judeus tomar o seu trono.
S. João conversou com o rei e denunciou a vida de
adúltero que este levava com sua cunhada Herodíades, mulher de seu irmão Felipe.
Herodíades odiava João. O Rei Herodes, porém, era fraco, medroso, pouco culto,
ignorante, e tinha medo do profeta.
S. João o procurou uma segunda vez, e repetiu tudo
o que dissera a respeito de seu casamento, que segundo a Lei era um sacrilégio.
Por causa da sua denúncia, foi preso no calabouço, a certa distância do local da
festa.
Herodíades tinha uma filha que se chamava Salomé,
que era uma mulher linda, dotada de um corpo exuberante, e seus olhos era como
de um felino, com lábios perfeitos, braços e perna longilíneos. Usava adornos
nas mãos e nos pés. Vestia-se se com tecidos finos e transparentes, como
musselinas e tules.
Herodes com a consciência pesada, pelas palavras
de João Batista, resolveu dar uma festa para comemorar o seu aniversário,
convidou todos os povos que faziam parte do seu reino.
Vieram os príncipes e suas cortes, também vieram
às bailarinas e as escravas, que não tinham valor nenhum.Os homens durante a
festa, ficavam no refeitório, lugar proibido para os outros, as escravas e as
bailarinas, ficavam a disposição dos convidados do rei.
Dado momento, a banda que tocava na festa
silenciou, entrou uma bailarina desconhecida, que com suas escravas começaram a
dançar. Os convidados do Rei não tiravam os olhos dela, quando acabou a dança,
começaram a gritar pedindo que dançasse mais uma vez. Então, descobriu o rosto e
viu que era sua sobrinha.
Já inebriado de desejo, prometeu-lhe que lhe daria
qualquer coisa que pedisse, até a metade de seu reino, ela saiu e perguntou a
mãe oque pediria?
- A mãe lhe disse: A cabeça de João Batista.
(Marcos 6, 24)
Enquanto dançou novamente, o carrasco o decapitou
e trouxe a cabeça de João.
Esta história de salvação está no Evangelho de
Marcos 6, 14-29, Mateus14,1-12, Lucas 9,7s.3,19.
É o único santo que é comemorado no dia do seu
nascimento.
De São João devemos aprender o sentido da missão,
saber qual é o nosso lugar na Igreja, de maneira a sermos setas que indicam o
Cristo.
São
Pedro
Simão, o pescador – Pedro, o pescador de homens.
Seu nome real era Simeão, mas por influência do
grego (Simon), foi mudado novamente para Simão, assim como Pedro é a tradução
grega do apelido que Jesus lhe deu, Cephas (rocha , em grego: Pêtros)
Também era conhecido como Simão, Simão Pedro,
Simão Barjona (filho de João ou Jonas). Natural de Betsaída, da Galiléia, às
margens do lago de Genesaré, também conhecido como mar de Tiberíades. Era mesmo
filho de Jonas, que tinha como profissão a pescaria.
Quem era Pedro: Um homem autoritário, impulsivo,
entusiasmado, franco, bondoso, extremamente generoso. A razão pela qual Pedro
não entrava em grandes complicações em relação as suas idéias é porque
partilhava muito a vida com André, seu irmão que morava em sua casa, com sua
sogra, tinha mulher e filhos.
Certo dia foi apresentado a Jesus pelos discípulos
de João, em Betânia.
Largaram suas redes para serem pescadores de
homens. Fez parte do grupo dos Apóstolos de Cristo, e do grupo seleto, que
participaram da intimidade de Cristo junto com Tiago e João Evangelista, só os
dois estiveram com Ele aos pés da cruz. Também participou dos milagres mais
importantes de Cristo e esteve na festa das Bodas de Caná.
Sabemos de sua vida por causa dos Evangelhos, Atos
dos Apóstolos, Cartas de São Paulo, as duas cartas atribuídas a ele.
Olhando para Pedro vemos a transformação que
sofre. Todo aquele que conhece Jesus Cristo não é nunca mais o mesmo. Ele passou
de uma vida normal à vida santificada pela missão que recebeu do próprio Mestre,
morrendo para si e nascendo para a vida eterna. Mesmo quando não entendia as
palavras de Cristo, não o abandonou, mesmo diante da negação de Jesus, momento
de fraqueza, amou.
Ele apropriou-se do nome Pedro, tornando-se uma
rocha inabalável, assumindo a profecia de Cristo, tornou-se o primeiro Papa.
Pedro experimentou o Amor Incondicional
de Cristo, quando Ele disse : “Vem e segue –me”.
A ele também foi dada a missão de junto com João,
preparar o Cenáculo para a celebração da Páscoa (Pesach).
Após a ascensão, ele promoveu a eleição para
colocar outro Apóstolo, no lugar de Judas Iscariotes.
São Pedro foi o pregador do povo de Israel.
Depois de Pentecostes, ele converteu a muitos com
seus discursos e conheceu um grande aliado na divulgação deste Cristo que nos
faz viver na Terra coisas do Céu.
Ele foi crucificado de cabeça para baixo por não
se achar digno de morrer como Cristo, num lugar chamado Colina Vaticana onde
hoje é a Basílica de São Pedro.
Que as festas juninas sejam um momento oportuno de
nos encontramos com o Amor Incondicional a exemplo de Santo Antônio, São João e
São Pedro. Assim Rogamos, assim esperamos, assim acreditamos.
Gláucia Alcântara
Discípula da Com. Passio Domini
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