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EU
RECONHEÇO A TUA VOZ SENHOR
“Senhor,
a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida
eterna ( João 6,68)”.
Estamos no mês Agosto e neste mês
celebramos, em Igreja, o mês das vocações.
Vocação, do latim vocare,
significa chamado. Deus chama o homem, a todo
instante, e, nas mais diversas circunstâncias.
Esse homem deve responder, livremente, a esse
chamado feito por Deus. A resposta do homem a
esse chamado é a certeza da plena realização.
Casados, celibatários,
sacerdotes, todos os estados vividos segundo o
querer de Deus expressam as mais diversas faces
do Deus Amor (I João 4,8), de tal
maneira que essas vocações, bem vividas, numa
entrega oblativa, diária e decidida fazem com
que esse mesmo amor transborde alcançando tantos
outros e outras que sofrem da ausência do Amor.
A frase Bíblica, contida no
Evangelho de João 6,68 expressa o sentimento que
deve motivar todo e qualquer vocacionado, nos
mais diversos estados de vida. A quem
poderíamos ir senão Áquele que tem a única
palavra de vida eterna, senão Áquele que tem o
verdadeiro alimento para as nossas almas.
Quando pensamos em crise
vocacional, citado muitas vezes por teólogos e
estudiosos da vida consagrada, na realidade não
é de uma crise vocacional que verdadeiramente
tratamos; ainda existem pessoas chamadas para
uma vocação e muitas vezes para uma vocação
específica, é possível sim falar de duas
realidades: a falta de escuta e entendimento do
querer de Deus para nossas vidas, quando
fechamo-nos no individualismo, e por outro lado
o distanciamento que muitas expressões da vida
religiosa tomaram de seus carismas fundantes.
Como lidar com o individualismo? Como retornar
ao carisma fundante das expressões religiosas?
No caso do individualismo, em
sendo um hábito, expressão da cultura da morte,
deve-se anunciar, oportuna e inoportunamente, o
projeto de Jesus Cristo, sua palavra, ela é vida
e vida abundante, compartilhada entre irmãos. É
essencial proclamar que Jesus é o Senhor, e está
vivo. É claro que não esgotamos nossa reflexão
sobre o assunto, pode-se e deve-se aprofundar
tal questão.
Quanto às expressões de vida
consagrada, urgentemente, é preciso retornar aos
escritos de seus fundadores (as), a busca pela
radicalidade de vida, nos moldes dos fundadores
(as), tornando-se guardião do carisma. Isso
mesmo, o vocacionado a um carisma específico
torna-se guardião desse carisma e deve segui-lo
e transmiti-lo na sua autenticidade fundante.
Vivamos intensamente esse mês
vocacional, exercitando a nossa escuta de Deus e
muito mais a nossa obediência amorosa a seu
chamado.
Luiz Santana
(Luizinho)
Fundador da Comunidade Passio Domini
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